Sapiência triste

Enquanto você aplaudir poemas medíocres,

Canções de amores comuns e a arte de um povo comum.... Serás feliz. Terás mil dentes para mostrar... A todo o momento,

Uma figura qualquer prenderá a sua atenção,

Um discurso de argumento parcos, irá te convencer.

Acreditarás que um vivente de uma esquina qualquer, tem dons especiais e que sua pregação poderá te salvar... Mas, quando puxares o véu e a clarividência te mostrar , o nu mesmo vestido... então, o teu riso cessará e não terás nenhuma porta de saída, tão pouco alguma te prenderá. Serás livre!

Finalmente a liberdade... Onde habita a tristeza.

Lidia Radke

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A MULHER DE OLHAR QUENTE





Um dia "Seu" Modesto me contou a história de uma mulher de olhar quente, que viveu por mais de quarenta anos no deserto. Ela era feia e louca, diziam que o sol escaldante teria prejudicado o seu cérebro.
O seu destino no deserto começou quando um dia um rapaz manco com um riso débil a olhou nos olhos e em seguida para os seus seios "metade à mostra". Um desejo maciço tomou conta do bobo... A chuva caia fina e a rua ficou um lamaçal pisado pelos cavalos puxando as carroças e os transeuntes que em vão queriam evitar o atolamento dos pés na lama. A mulher de olhar quente observava aquela paisagem e suportava a atmosfera de uma casa que atordoava a sua mente. Havia cadeiras velhas em torno de mesas tortas, o cheiro de alcooloides e tabaco empesteava o ar. Homens de olhos vermelhos e tédio no peito, tentavam desesperadamente reter o que de mais importante consideravam. A virilidade. Mas de fato quase todos já a haviam perdido e o que negavam veementemente, menos para a mulher de olhar quente.
Ela, cansada de deitar-se sob eles, pois arfavam e pigarreavam os pulmões chiantes e entabacados,
enquanto lhe esfregavam os pênis amassados... que lembravam geleia.
O rapaz bobo tentava adivinhar o desejo da mulher de olhar quente, e, adivinhou.
Deu-lhe então o braço e saíram pisando a lama. Ela olhou para trás ao ouvir seu nome na voz rouca do dono do bordel, sorriu para ele, mas seguiu ao lado do rapaz bobo, com passos sem retorno.
A mulher de olhar quente trocou todos os corpos repugnantes por um único e com ele partiu para o deserto, onde ela enlouqueceu.
Lídia Radke

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