Sapiência triste

Enquanto você aplaudir poemas medíocres,

Canções de amores comuns e a arte de um povo comum.... Serás feliz. Terás mil dentes para mostrar... A todo o momento,

Uma figura qualquer prenderá a sua atenção,

Um discurso de argumento parcos, irá te convencer.

Acreditarás que um vivente de uma esquina qualquer, tem dons especiais e que sua pregação poderá te salvar... Mas, quando puxares o véu e a clarividência te mostrar , o nu mesmo vestido... então, o teu riso cessará e não terás nenhuma porta de saída, tão pouco alguma te prenderá. Serás livre!

Finalmente a liberdade... Onde habita a tristeza.

Lidia Radke

quinta-feira, 1 de junho de 2023

 

Em homenagem ao Rio Doce - Um rio que foi contaminado pelo rompimento de uma Barragem, na cidade de Mariana em Minas Gerais.


PERDÃO, RIO DOCE

Perdoa rio Doce, perdoa!

Perdoa tamanha traição,

Perdoa meu doce Riozinho

Perdoa Rio Doce irmão.


Corrias, servindo sozinho

Água pra todos os bichos

chamavas as chuvas pra plantas

lavavas as bostas e os lixos


Perdoa Rio Doce ao homo

O homo não vive pelado

O sapiens precisa do cromo

e outros metais pesados


Aceita Rio doce, aceita

A lágrima e a dor do meu peito

Quem sabe uma prece ou os gênios

não limpem um dia, o teu leito

quem sabe em outros milênios

quem sabe, se tem algum jeito.


Lídia Radke



terça-feira, 30 de maio de 2023

 

OS DOÍDOS E DOIDOS - DA NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA
Coisas doídas e doidas.
Comprar carne no carnê
e trocar o coco por cocô.
Encontrar um cágado cagado
Quando a falsa médica medica.
Quando a babá baba.
Quando a secretária quebra a secretaria.
Teimar que romã só dá em Roma.
Que seus pais não têm país.
Usar maiô só em maio.

Achar que uma sabiá não é sábia.

Discriminar o Pelé pela cor da pele.
Vender camelo no camelô.
Jogar no rio lixo que a fábrica fabrica.

Quando eu não valido o que é válido.
Que se amem só depois do amém.
Numa sexta sem direito à sesta fui trançar uma cesta.
A alta taxa sobre a tacha é o imposto.

O servo que maltrata o cervo.
Mesmo na cerração houve serração de árvores.
Não houve concerto, instrumentos estão no conserto.
Ao empossar, o vereador viu empoçar o palanque com água da chuva.
A pessoa mais vivida é mais vívida.
Ela bota a bota e calça a calça e sai.

E, assim a profetisa profetiza

… Eu não publico isso ao meu público….

– Lídia Radke



 

DISTÂNCIA!

Esperemos e olhemos o correr das águas?

Que só levam o que é leve

e vão as alegrias e ficaremos com as mágoas?

Tal qual as pedras, que o rio descreve.


O tempo não espera a nossa coragem.

Ele nos chama, indica e corre.

Nos cede suave e breve imagem,

que sorri, suspira e depois morre.


Oh, tempo e seus imuteis segundos

Enriqueceriam só com a tua presença.

Depois de você, me perdi no mundo

e sem você, prefiro a sentença!


Lídia Radke – 14 de Maio de 2023