Sapiência triste

Enquanto você aplaudir poemas medíocres,

Canções de amores comuns e a arte de um povo comum.... Serás feliz. Terás mil dentes para mostrar... A todo o momento,

Uma figura qualquer prenderá a sua atenção,

Um discurso de argumento parcos, irá te convencer.

Acreditarás que um vivente de uma esquina qualquer, tem dons especiais e que sua pregação poderá te salvar... Mas, quando puxares o véu e a clarividência te mostrar , o nu mesmo vestido... então, o teu riso cessará e não terás nenhuma porta de saída, tão pouco alguma te prenderá. Serás livre!

Finalmente a liberdade... Onde habita a tristeza.

Lidia Radke

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O TERCEIRO PODER



"Seu " Modesto me contou a história de seu compadre Fidel. Disse me que ele era um homem bom e razoavelmente feliz. Sofria um pouco com a burrice humana que segundo ele e Murphy “a burrice não tem limites” ou seja: às vezes ele sofria muito. Um dia desses em seu intenso sofrimento ele caiu de joelhos e rezou ! Implorou a Deus por um alivio, relatou toda a estupidez com a qual tinha que conviver e que por ela inúmeras vezes pecara em pensamentos, pois desejara matar da maneira mais perversa aos estúpidos que atormentavam a sua vida. Àqueles que colocavam alarme em seus carros e casas e quando estes disparavam não vinham desligá-los, aos fofoqueiros que comentavam inverdades a seu respeito, aos ladrões que lhe roubavam eventuais pertences e até mesmo aos mais inofensivos do tipo que não convém qualquer comentário cujo comportamento se assemelha a seres de pequeno cérebro.
Fidel clamou com muita fé, mas Deus não o atendeu de imediato, dado que seu pedido fora um tanto pretensioso. Quisera ele ter o poder de explodir alarmes ativados a longa distância apenas com um piscar de olhos, de ver cair morto seu inimigo ao comando de um gesto qualquer e outros poderes que cabem somente a Deus e quem sabe talvez... Aos Santos.
Então ele terminou sua oração com um riso de si mesmo e com o pensamento de que realmente pedira demais e que não seria atendido por uma questão de ordem e de justiça. Mas, passado alguns minutos seus ouvidos ouviram uma voz inigualável que supostamente seria a voz de Deus. E era. Fidel! __ Dizia a voz. Oferecer-te-ei três poderes dentre os quais tu poderás escolher apenas um. Primeiro: poderás detonar todo e qualquer alarme acionada somente com a força do teu pensamento, segundo: serás invisível para aqueles que você desejar que não te vejam e terceiro: poderás desencadear uma diarréia incontrolável em qualquer um de sua escolha estando este em qualquer lugar e em qualquer situação.
Fidel era sem dúvida um homem de fé mas desta vez duvidou um pouco da voz divina. Mesmo assim fez a sua escolha para o terceiro poder.
O tempo passou e as coisas seguiam na sua normalidade, às vezes ele lembrava do fato e pensava na possibilidade de testar seu poder, mas nunca mais se encontrou em circunstância que merecessem uma atitude tão radical. Até que um dia, ele foi convidado para um evento, desses onde pessoas se aglomeram e ficam ouvindo uns e outros a falar por longos minutos. E, lá estava, agora em forma de celebridade um indivíduo que noutro tempo lhe provocou um grande prejuízo o que lhe causou extremo desgosto.
O indivíduo falava palavras bonitas e demonstrava ser uma pessoa boníssima, falava e falava aos olhos e ouvidos atentos da platéia. Fidel ficou indignado e resolveu testar o seu poder. E, mesmo duvidando que funcionaria achou melhor não presenciar o resultado. Então ele pensou forte e com um riso de deboche para dentro de si mesmo, ele saiu do recinto sem olhar para trás.
No dia seguinte se lia no jornal: “Deputado caga nas calças durante o discurso”.
Lídia Radke



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