Fernando Pessoa criou vários heterônimos que
são personagens poéticas com identidade própria e estes heterônimos também eram
compositores.
Os mais conhecidos foram: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto
Caeiro e Bernardo Soares. Todos estes, são Pessoa, a mesma pessoa. Fernando
Pessoa.
E eis o que ele disse sobre seus heterônimos:
“Com uma
falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade
fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de
espírito”
“Tudo
vale a pena se a alma não for pequena” - Fernando Pessoa.
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Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira
do Rio
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Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos |
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Que a vida passa, e não estamos de mãos
enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.) |
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Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre iria ter ao mar. Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro. Ouvindo correr o rio e vendo-o. Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as No colo, e que o seu perfume suavize o momento - Este momento em que sossegadamente não cremos em nada, Pagãos inocentes da decadência. Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do que crianças. E se (você morrer) antes do que eu e levares o bolo
Ao barqueiro sombrio.
Eu
nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço.
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Ricardo Reis – Heterônimo de Fernando Pessoa
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Vejamos o que Lídia poderia dizer a Ricardo
Resposta
de Lídia
Ricardo.
Porque você não me
enlaçou na beira do rio?
Estávamos às sós.
Quisera que a tua
lembrança me ardesse e me ferisse
Do que não tê-la.
Por que não enlaçamos
as mãos... Os corpos?
O rio passou e eu... Triste
pagã com flores no colo...
Oh! Ricardo, não gostei
sentar contigo à beira do rio
Sem sangue que pulsasse
E sem desassossegos
De olhos parados na
água corrente
Qual dois doentes! A que me convidastes!
És um Pagão decadente.
Nunca mais me convide a sentar-me contigo à beira do rio.
És um homem de alma
pequena e por isso com medo.
Eu, Lídia. Prefiro o
Fernando que tem a alma grande e sabe que tudo vale à pena.
Lídia Radke
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